Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Aviso

Blog temporariamente inactivo por motivos que me são alheios.

Voltaremos em breve.


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por diogohoffbauermdias às 22:07
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
Apertado

Hoje, Bolonha não me deixa escrever.

Lamento.

Prometo que vos vou compensar. Para já, um vídeo de um concurso japonês em que os concorrentes tentam não rir. Adorava ver este adaptado à televisão portuguesa, mais até que o Tetris Humano, agora na decadente versão "Salve-se quem puder", onde a única coisa que se salva é a Diana Chaves, e é porque pode. Até o Marco Horácio, grande humorista, é desilusão. Não por culpa dele, mas deixou-se ir na onda.

Olha, afinal ainda escrevi um bocado. Bolonha não é assim tão mau quando compensada por concursos da terra do sol nascente: 



por diogohoffbauermdias às 21:10
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Saltou-lhe a tampa

Hoje vi uma caneta sem tampa. O que não se encontrou foi a tampa sem caneta, pelo que a caneta, provavelmente, ainda se encontra sem tampa. E não se prevê que se voltem a encontrar tão cedo. Nasceram juntas, morrerão separadas, algo só ao nível das grandes novelas da TVI e de programas old school como o eterno Ponto de Encontro. A tampa e a caneta, a caneta e a tampa. A tampa sem poder tapar a caneta torna-se dispensável, inútil, passa a não ter qualquer sentido em existir. Em tempos, fora essencial para manter a caneta a funcionar, as palavras a fluir, uma conservadora de tinta, aplicada, eficaz na sua função. Agora, vale o mesmo que nada. Servirá talvez para um qualquer miúdo roer para se entreter nas aulas – miúdo ao qual me alio – mas não mais que isso.

A caneta, essa, tem uma sentença. Uma caneta sem tampa é como um ser com cancro terminal: está condenado a morrer em pouco tempo. Tal como os órgãos se vão fechando, o bico da caneta vai ficando cada vez mais seco; tal como a dificuldade em falar e se exprimir do ser humano, também as palavras começam a custar a sair do bico da caneta. A tinta não flui, as letras não se desenham, as ideias não se concretizam. Grande história que podia ter tido aquela caneta. Podia ter sido usada para assinar tratados de Paz no Médio Oriente; podia ter sido usada para assinar duvidosos documentos no BPN; podia ter sido usada para escrever fantásticas histórias de um mamute voador e das suas viagens; podia ter sido usada para censurar documentos, não é lápis, mas é azul; podia ter sido usada para preencher a papelada que se amontoa na secretária da D. Maria dos Serviços Sociais; podia ter sido usada para entreter as mãos de um qualquer comentador político incoerente na SIC Notícias.
Mas não foi. Sem tampa, nunca mais servirá para nada. Morrerão separados, por estarem separados. É triste depender assim de alguém. Deus não foi justo.

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por diogohoffbauermdias às 20:26
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Sábado, 30 de Maio de 2009
Tal mãe, tal desconhecida

Ontem, consegui ir sentado no metro. Isto, por si só, era já uma informação digna de merecer um post neste reputado blog, mas há mais.

Fui sentado em frente a duas mulheres: uma delas com os seus cinquenta e tal, a outra na casa dos vinte. Uma magríssima, delgadíssima, esquelética, braços esguios, sem busto; outra anafada, e como ia sentada, mais se notavam as gorduras acumuladas. Mas ambas de feições parecidíssimas: o mesmo olhar triste e vago, o mesmo cabelo loiro puxado atrás num rabo-de-cavalo, os mesmos dois dentes que não cabem na boca e teimam a vir cá para fora. Questões etárias e lipídicas à parte, eram iguais.

Pensei logo que deviam ser mãe e filha. Era o raciocínio lógico, a gordura nem sempre é hereditária. A mãe podia comer muito, a filha não. A mãe podia estar assim por ter tido meia dúzia de filhos, sendo aquela senhora ao lado dela um deles e ser solteira e sem rebentos. A mãe podia ter uma doença qualquer que a fizesse chegar àquele estado. A filha idem, que também era magra demais.

Comecei a devanear sobre o passado daquelas senhoras. A filha ainda vivia com a mãe. A mãe estava feliz por viver com a filha, pois separou-se do marido há uns anos devido aos problemas destes com o álcool. Foi complicado ganhar independência financeira, mas depois de alguns períodos de fome, arranjou emprego numa cozinha de um snack-bar. Sempre fora boa cozinheira, daí se estranhar ainda mais a magreza da filha. Filha essa, que trabalha numa loja de roupa, num pequeno centro comercial.

Ontem era sexta-feira, dia de folga da mãe, a filha saía às 17h30, decidiram e ir dar uma volta pela cidade. Andaram pela baixa, experimentaram roupa, a mais nova tamanho "XS", a mãe tudo acima do "L". Nunca sorriram, não eram de sorrir. Mas divertiram-se com o homem que lhe impingiu um balão em forma de cão.

Foram lanchar a um café que tem um rissóis de carne divinais, sempre quentes, com o cheiro da vitela a convidar sempre mais um. Deliciaram-se, a mais nova com um rissol, a mãe com três. Três apenas, não quer abusar. Pediram alguns para levar para o jantar.

Voltavam agora para casa. Iam jantar, iam jogar um jogo qualquer de cartas e iam dormir, que no dia seguinte ambas trabalham logo de manhã.

Todos estas minhas conjecturas foram por água abaixo quando a mulher gorda se levantou e saiu, enquanto a magra se deixou ficar sentada, sempre a olhar para nenhures. Senti-me derrotado: nunca serei como Poirot. Segui pistas demasiado erróneas: os pesos nunca devem ser objecto de observação por não terem causa fixa; e a ideia dos rissóis de vitela só me terá ocorrido porque eram 18h30 e ainda não tinha lanchado.


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por diogohoffbauermdias às 12:02
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
O Donut de Eros

Hoje, duas pessoas me chamaram "amor": a minha mais-que-tudo e a mulher que me vendeu um donut no café da Trindade.
Isso fez-me questionar acerca do verdadeiro sentido e conotação da palavra "amor", a sua deturpação, a sua repetição, a exaustão da sua musicalidade.
A mulher do café, feia que nem um bode, dá-me o donut a correr, eu agradeço e ela diz-me, numa despedida ao nível de um dramático filme romântico: «Adeus, amor».
Cheguei a questionar-me acerca da identidade daquela mulher. Será a minha verdadeira mãe? Será que, numa noite de bebedeira que já esqueci, me envolvi com aquela mulher e ela apaixonou-se pelos meus incríveis ossos? Não saberei.
A verdade é que a mulher disse "amor" com as mesmas quatro letras com que Camões a chorou, Shakespear a dramatizou para Romeu a gritar; a mulher disse "amor" com a mesma musicalidade com que Eros a criou.
Se este uso exaustivo da palavra "amor" se propaga, que significação terá quando eu a disser? (eu digo, quando eu a disser a alguém que me faz sentir feliz, e não a alguém que me compre um donut...).
Eu corro o risco de ainda ser vivo no dia em que alguém diz "amor" como forma de cumprimento.
Já ouvi dizer "amor" em troca de sexo. Mas em troca de um donut?...

 

 

(A imaginação é uma coisa tramada. Vai, vem, fica, muda-se, faz férias, dedica-se... Hoje, ausentou-se. Isto de escrever de forma diária é complicado, e por vezes o melhor mesmo é admiti-lo. Este texto tem já um ano de existência.)


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por diogohoffbauermdias às 21:00
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Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Perfume de Muamba

Hoje, é o Dia Europeu do Vizinho.

Já não existem vizinhos. Existem pessoas que moram perto umas das outras, na mesma rua, no mesmo prédio, no mesmo andar. Mas já não existem vizinhos. Eu não me lembro de ter um vizinho, um vizinho mesmo. Um vizinho a quem pudesse pedir ovos e sal quando necessitado. Pensando bem, nunca precisei assim muito de ovos e sal. Mas, mesmo que precisasse, seguramente que não pediria a um habitante do meu prédio. Porquê, se é tão mais fácil? Porque não são meus vizinhos.

Os meus vizinhos mais próximos são angolanos. A bandeira que ostentam orgulhosamente na entrada de casa - e que se consegue discernir porque mantêm sempre a porta aberta para escoar o cheiro da comida - não engana. É um casal com dois filhos, parece, mas multiplicam-se. Todos os dias vejo um angolano diferente a entrar ou a sair daquela casa. Começo a desconfiar que Angola se mudou toda para o meu prédio, e as minhas suspeitas vão-se confirmar quando eu me cruzar com o Mantorras e lhe perguntar «Então, esse joelho?», ou encontrar o José Eduardo dos Santos e perguntar «Então, essa corrupçãozinha?». Conversas de vizinhos, sabem como é, já que não os há, o melhor mesmo é fingirmos que sim e termos conversas como se os reconhecêssemos como tal.

Se eu fosse pedir alguma coisa a esta grande família, não pediria apenas ovos e sal. Pediria toda a comida. Só desta forma evitava o cheiro nauseabundo que sai daqueles aposentos todos os dias. E, já que estava com a mão na massa, requisitaria também a aparelhagem.

Não que eu não goste de Kizomba aos berros quando estou a tentar adormecer; mas às vezes faz-me dores de cabeça.



por diogohoffbauermdias às 20:34
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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
Domingo pouco Desportivo

Ontem falei aqui sobre a preguiça, porque ontem foi domingo, e domingo é o meu dia da preguiça. Se formos rigorosos, todos os dias da minha vida são dias da preguiça, de uma forma ou de outra. Mas os domingos são particularmente ociosos.

Aos domingos, não costumo olhar para o relógio vez alguma.
Ontem, foi uma excepção. (Vamos, mais uma vez, deixar o rigor de lado quando uso a palavra “ontem”, porque, com justeza, deveria ter usado a palavra “hoje”, visto que já passava da meia-noite há algum tempo. Mas, para o intuito deste texto, o facto de tudo se passar num domingo dá mais magia à história.) Dizia, ontem foi uma excepção. Olhei para o relógio, porque questionei a minha própria sanidade.
Os erros televisivos devem ser devem ser desculpados como qualquer outro, e eu, como estudante de jornalismo, tenho isso bem marcado. Não que rezemos constantes “perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”, sem bem que estas orações assentam como uma luva no triângulo “televisão – ERC – povo”. Mas sabemos que, por detrás dos anúncios, dos programas, até das televendas, existem humanos, e o humano, ao contrário dos restantes animais, erra. Mas o erro ao qual assisti ontem indignou-me.
Foi no segundo intervalo do «Domingo Desportivo», programa que eu assisto impreterivelmente, quando anunciaram o jogo «F.C. Porto – Sporting de Braga», às 19h15, na RTP1. Acontece que já era meia-noite e pico, e eu já tinha assistido àquela partida horas antes. Questionei se teria sonhado tudo, e até esperei quê sim. À parte da minha demência, sobre a qual de preocuparia depois, o Porto tinha empatado, e se o jogo ocorresse outra vez havia a hipótese de o vencer. Mas parece que foi mesmo um erro televisivo, de alguém que, certamente, estava louco por ver o Porto jogar outra vez.
Fosse como fosse, o facto de questionar a minha consciência foi um sinal de que era hora de parar. Desliguei a TV contaminada com o crasso erro da RTP e fui para a cama.
(Aproveito para dizer que ter aulas de manhã a uma segunda-feira, com Domingo Desportivo no dia anterior, é pura maldade. Vale-me a mim que o campeonato acabou, e com ele o programa. Vou finalmente poder assistir a uma aula de História Contemporânea de Portugal com os olhos abertos. Vou finalmente saber como é.)


por diogohoffbauermdias às 21:33
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Domingo, 24 de Maio de 2009
Os preguiçosos não se tornam imortais, mas dava jeito

       Eu decido-me sempre por deixar tudo para depois. Aliás, a maioria dos seres humanos tem a tendência de deixar para depois tudo o que pode ser feito depois, com a garantia de que “depois” existirá mesmo.  

 A culpa, avanço eu, é do aumento da esperança de vida. Se o homem vive mais, o “depois” acaba por existir sempre. Não é à toa que a tartaruga e o elefante são dos mais lentos animais na terra: vivem muitos anos, têm tempo, têm o “depois” para desfrutar, têm um novo amanhecer quase garantido. Deixam-se arrastar na pasmaceira da sua demorada existência, e vivem paulatinamente todos os dias, dormindo sem reservas, porque o amanhã virá.
Pensem, por exemplo, se seria possível a Ephemeropteras, vulgas efémeras, viverem desta forma, repetissem tantas vezes “logo se vê”, expressão que já corroída do uso repetitivo da espécie humana. As efémeras são uns pobres bichos que vivem não mais que curtas horas, pelo que não têm o “depois” como opção. O que têm de fazer, têm de o fazer “já”. E, mesmo assim, têm de fazer opções sobre o que fazer e o que não fazer.
Eu, preguiçoso como sou, seria de esperar que acreditasse na imortalidade. Nunca a frase de Salústio fez tanto sentido: «Nunca ninguém se tornar imortal com a preguiça». Mas esses é que tinham mais necessidade do respirar permanente, para poderem contar com um futuro certo.
Não me imagino a morrer, mas isso não dever ser acreditar na imortalidade; será apenas acreditar que a mortalidade não terá o meu consentimento quando vier, porque não me é dada essa chance de preferência. Se um “depois” não vier, raios partam a minha sorte, porque vai haver sempre algo por fazer que deixei para depois.
Isto seria um sermão de Padre António Vieira aos peixes, se eu não me incluísse nesta espécie aquática nos defeitos acusados. Assumo-me como pecaminoso, mas não só na mandriice, noutros aspectos também. Mas desses falarei “depois”.

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por diogohoffbauermdias às 22:07
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Sábado, 23 de Maio de 2009
A saúde vem de autocarro e volta a passo

    «Menino, não vai abrir a janela…»

«Tem de ser. É para o bem de todos.»
Estava sentado no meu cantinho no autocarro. Normalmente, quando há disponibilidade, sento-me nos bancos de trás, colado à janela. Julgo-me, aí, imune às doenças que normalmente assolam os autocarros, desde a mais vulgar constipação ao mais mortal cancro. Sentei-me, e porque os autocarros portugueses não são feitos para pernas grandes, recostei-me bem na cadeira, da forma mais confortável. A viagem não ia ser demorada, mas a falta de quantidade não significa falta de qualidade. Eu já estava cansado, a turbulência do atrito do autocarro com o pavimento causa-me um sono desgraçado, iria inevitavelmente passar pelas brasas, e desta forma já o fazia de forma cómoda, evitando futuras cãibras. O sol inclinava-se e batia-me bem do lado esquerdo da cara, molengão e preguiçoso.
Tudo se conjugava para uma boa viagem de autocarro, e uma consequente boa sesta. E foi precisamente quando o João Pestana estava a chegar, que foi escorraçado por uma tosse doentia, forte, cheia de porcaria e seguida de uma pronta cuspidela com origem na mais profunda víscera. Era um homem, aí com cinquenta e cinco para cima, estrondoso bigode.
Aquele escarro serviu para anunciar que se ia sentar. E tudo indicava que seria ao meu lado. Confirmaram-se as piores suspeitas.
«Estou à rasca dos pulmões», roncou o senhor, para nenhures. «Estou sem dormir há um ror de tempo por causa desta porcaria».
No velho oeste, alguns cowboys passavam o dia no bar à espera de um qualquer conflito, só para poderem desafiar algum coitado para um duelo mortal de rapidez de disparo, reflexos velozes, destreza no gatilho, sangue-frio no confronto. Quase dois séculos depois, do outro lado do Atlântico, temos as mulheres que viajam de autocarro, com o único propósito de disputar enfermidades. Uma pequena senhora, sensivelmente dez anos mais velha do que o senhor queixoso, viu ali uma grande oportunidade de ostentar as suas moléstias.
«E eu? Eu estou que não me posso mexer por causa das artroses nos joelhos». A dama, ao falar, mostrou que tinha apenas três dentes à vista desarmada, mas acredito que, com um bocadinho de esforço e coragem, eu acabaria por ver um quarto dente.
«Ó, minha senhora, também eu já sofri muito com isso», ripostou o senhor do bigode farfalhudo. Não devia usar os bigodes para os distinguir, já que a senhora também tinha uma rica penugem a ornamentar-lhe o lábio superior. Mas, de facto, é quase impossível falar do sujeito queixoso sem referir o bigode. «Havia de ter as dores que eu tenho na anca, de há uns anos ter levado com um carro no coiro, aí é que havia de ver!»
«Ó, meu senhor, trombadas já eu levei muitas, até já apanhei no focinho do meu falecido marido, e estou aqui. Havia era de ter a minha coluna, parecem alfinetes que se me espetam… Aí é que ia ver o que era bom para a tosse!»
«Aflito da tosse ando eu já, minha senhora. E ando a tomar toda a porra que me dão e a filha da puta da espectrulação não há meio de passar!»
O João Pestana já havia sido contaminado. Eu seria o próximo, pelo que joguei pelo seguro: levantei-me e abri a janela. Um outro senhor, já de mais idade, queixou-se do frio e disse-me:
«Menino, não vai abrir a janela…»
«Tem de ser. É para o bem de todos.»


por diogohoffbauermdias às 20:59
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Ópios do povo, qual deles o melhor

   “Um golo é melhor do que um orgasmo”, disparou, certa vez, o inigualável bi-bota Fernando Gomes.

A associação de futebol e sexo parece-me aceitável: são duas actividades físicas apreciadas por qualquer homem que se preze; a mulher tem em ambos, cada vez mais, uma palavra a dizer; e ambos são mais apreciáveis acompanhados de cerveja.
O que Fernando Gomes conseguiu foi colocar os dois pontos de exclamação destes dois estimulantes oásis de forma equiparada. Provocou gargalhadas, alguns trejeitos de cepticismo e protestos de indignação. Eu consegui juntar estas três reacções: ri-me pelo carácter jocoso da frase; torci o nariz quando comecei a pensar sobre o assunto; protestei quando cheguei a uma conclusão palpável.
A conclusão é simples: tudo depende do golo e tudo depende o orgasmo. Na vida, de facto, tudo depende do que estamos a falar. Eu sou pão, pão, queijo, queijo, até porque não gosto de queijo e dessa forma posso comer só o pão. Mas a questão não é essa.
A questão é que um golo do meu Porto, marcado pelo Rodriguez, no último minuto de um jogo com o Benfica no Estádio da Luz, que decide o título, com o jogo empatado a zero, e na sequência de um contra-ataque rápido após penalty falhado pelo Reyes bate qualquer orgasmo que eu alguma vez possa ter na vida. Aliás, bate qualquer coisa que eu alguma vez possa ter na vida.
 A minha namorada irá ler isto e irá tentar, esforço ao qual não me vou opor, fazê-lo, mas provocar-me um orgasmo que me faça gritar mais que este hipotético golo vai ser missão impossível.


por diogohoffbauermdias às 23:38
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Um abraço neste Shopping de encontro

Há uns tempos, havia um programa chamado “Ponto de Encontro”, que toda a gente, de todas as gerações, conhece.

Hoje em dia, esse programa foi substituído pelos centros comerciais. Raras vezes vou a um centro comercial sem ver dois antigos amigos de escola a reencontrarem-se, dois primos a reencontrarem-se, pai e filho a reencontrarem-se, cão e dono a reencontrarem-se. E raras vezes vou a um centro comercial sem eu próprio encontrar alguém que me reconheça, pois eu sou mau com caras e fisicamente não mudei muito. Só na altura. E as pessoas que reencontro aproveitam-se disso mesmo para cortar o gelo:

“Diogo, estás tão grande!”

“Pois. Cresci”

“Muito mesmo, a última vez que te vi eras, tipo, minúsculo”

“Pois, pois”

“Como estás?”

“Estou grande”

“Pois, realmente estás grande, estás. Mas quê, tiveste alguma alimentação especial?”

“Não, não, dei um salto aos 15”

“Pois, tu antes eras tão pequenino e agora…”

“Pois, cresci, cresci”

“É bom isso”

“Pois, eu gosto”

“Então vemo-nos por aí”

“Esperemos”

“Estás maior desde há bocado”

“É capaz, é”

“Adeus então”

“Gosto em ver-te”

“Igualmente. Cumprimentos ao teu pai”

“Ele morreu”

“…”

“…”

“A sério?”

“Não, estava só no gozo. Está fino como um pêro”

“Ah! Pronto… Tu e as tuas brincadeiras!”

“Pois é”

“Ele foi sempre alto também”

“É alto, é”

“Sais a ele”

“Pois”

“Então adeus!”

“Até à próxima!"


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por diogohoffbauermdias às 21:01
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Domingo, 17 de Maio de 2009
Depois da tempestade, veio a gripe

 

Devo anunciar que estou doente. Cheguei a ponderar que este estado fosse puramente psicológico, uma patologia que decidi meter na cabeça por ver episódios do Dr. House tantas horas seguidas, ininterruptamente, e querer ser curado pelo sarcasmo do grande doutor e pelos olhos do elemento feminimo da sua equipa. Mas não, estou mesmo doente, a minha garganta parece que tem uma bola de ténis a obstruí-la, e ,pelos vistos, se o antibiótico não fizer efeito, vou ter de levar com uma brutal injecção de penicilina que não me traz grandes recordações do passado.

"Terei apanhado a gripe suína?", ocorreu-me a páginas tantas. Tenho sentido alguns dos sintomas, como fraqueza, tosse, dores de garganta, dores corporais, indisposição, vómitos... E garanto-vos - por estar sozinho em casa há dois dias - que "porco" era a primeira coisa que me chamariam se vissem a minha cozinha.

O meu optimismo garante-me que não. Todos estes sintomas têm explicação. As dores corporais devem ter tido origem no facto de eu ter adormecido a ver televisão e não ter almofada. E certamente que os vómitos devem-se ao e-mail que li há pouco, com fotos hediondas de acidentes rodoviários. E para a fraqueza já tenho uma pizza a aquecer no forno. Mas, como o meu optimismo não é nenhum génio da medicina, tentem afastar-se de mim o mais possível. Inclusivamente dessa foto aí no canto superior esquerdo do vosso ecrã.

Devo ter um sistema imunitário de um feto. Basta uma semaninha de mau tempo, e venho-me logo abaixo. E, para a maior parte das pessoas, depois da tempestade vem a bonança. Para mim, depois da tempestade, veio este raio desta gripe que não passa.

Um abraço solidário para todos os que estão doentes como eu. Para aqueles que estão pior e tenham convivido recentemente com porcos, ficam apenas umas prudentemente longínquas saudações.

 

(Já que estamos na medicina, testes realizados há um mês concluiram que Michael Jackson tem cancro da pele. Eu nem sequer sabia que ele tinha pele. Mas fica a nota.)


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por diogohoffbauermdias às 12:59
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Sábado, 16 de Maio de 2009
Onomástica

Este blog tem o meu nome porque é meu, sou eu que o escrevo, e escrevo o que quiser escrever. Posso, caso seja essa a minha vontade, falar um dia do caso Freeport e, no seguinte, presentear-vos com uma reflexão profunda sobre o meu segundo dedo do pé.

Fá-lo-ei? Nem eu sei.

Este espaço tem o meu nome pela mesma razão que os filhos têm o apelido dos pais: os filhos são deles. Este blog é meu. Viu a luz do dia porque eu premi o botão, desenvolve-se porque eu o amamento.

Foi um filho planeado, racionalizado até, não é um filho fruto de uma one-night-stand de volúpia enevoada perfumada de vodka. É um contributo consciente à demografia da blogosfera.

É um rebento forte, sadio, imaculado no teste de Apgar, três quilos e meio à nascença, ainda mergulhado em diversos líquidos uterinos que hão-de ser limpos a seu tempo. Mal abriu os olhos para ver o mundo ainda, mas, quando o fizer, será certamente um olhar mordaz e corrosivo. Quando tal se justificar, claro está, filho meu não vai dizer as coisas por dizer.

(Tenho tentado evitar a palavra «blog» e substituí-la por alternativas válidas, mas mais do que fugir à repetição, tento o mais possível abster-me de vos brindar com um vocábulo cuja sonoridade tanto se assemelha ao momento em que a merda bate na água e ecoa por todo o quarto-de-banho. Espero que esta fedorenta associação não seja um mau presságio do futuro deste espaço. Todos sabemos a tendência que todo o recém-nascido, sendo ou não metafórico, tem para defecar mais do que o que respira.)

Lanço-me na aventura de pai solteiro, com o compromisso de me entulhar de fraldas, toalhitas, chupetas, desgastar o braço de tanto o usar como cobaia para garantir que a temperatura do leite é a ideal.

Este blog é meu e é por isso que tem o meu nome.



por diogohoffbauermdias às 16:19
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