Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Cabeça para cima, polegar para baixo

Cristiano entrou de gloss em campo. Messi não embelezou os lábios, mas parecia confiante na entrada.

Cristiano entrou em campo como para um casamento. Impecável maquilhagem, figura alta, atlética, sorriso de confiança a esconder o medo de perder um ceptro que tem de ser seu. Messi passou pelo chuveiro antes de entrar. Não tardava, aquele cabelo desgrunhar-se-ia ao primeiro sprint. E Messi não o penteou; foi atrás da bola.

Cristiano entrou de nariz empinado. Messi também, mas esse é físico, talvez herança do nariz da mãe, a descrever um apóstrofo bem delineado.

Cristiano, de costas direitas, parecia capaz de explodir, e nós já o vimos a resolver um jogo de um momento para o outro com um petardo teleguiado ou uma impulsão de cabecear Plutão. Cristiano, melhor do mundo, não conseguiu ir além das estrelas. Messi, camisola desfraldada, bola impreterivelmente colada ao pé esquerdo, deambulante, fez-me sorrir de cada vez que estava em jogo.

Cristiano cobriu-se de base para esconder as imperfeições do rosto. Os jogos agora são em alta-definição, e o melhor é não haver descuidos. Mas Cristiano esqueceu-se de esconder as imperfeições do seu futebol. E elas existem. Eu, até há bem pouco tempo, julgava que também para Messi existiam imperfeições, mas parece que não há. Messi ganhou nas alturas numa área repleta de defesas acima do metro e noventa e fez um golo de fazer Crouch roer-se de inveja. Messi atingiu Marte com aquele salto. Messi, que teve de tomar hormonas para atingir o 1,69 m, marcou um golo de cabeça na final da Champions. Messi é, agora, perfeito.

Cristiano nunca será perfeito enquanto não se esquecer dos duelos individuais, com a imprensa, com o mostrar que merece estar onde está. Messi merece, mostra-o, e parece jogar com a mesma descontracção com que eu jogo ao sábado com os meus amigos num pavilhão qualquer, numa transversal à rua Damião de Góis.

Cristiano sabe que já não é o melhor do mundo. Deixou de o ser hoje. Pode voltar a ser, disso não há dúvida. Está ali uma máquina de jogar futebol. Mas - Álvaro de Campos, peço-te que me absolvas disto - há algo que supera as máquinas. Messi conseguiu tocar Plutão.

Júlio César baixou o polegar em Roma. Cristiano saiu rebaixado, pronto para lhe ser cortada a cabeça. A cabeça que não soube usar.

Começou o reinado Messi.



por diogohoffbauermdias às 22:34
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Ópios do povo, qual deles o melhor

   “Um golo é melhor do que um orgasmo”, disparou, certa vez, o inigualável bi-bota Fernando Gomes.

A associação de futebol e sexo parece-me aceitável: são duas actividades físicas apreciadas por qualquer homem que se preze; a mulher tem em ambos, cada vez mais, uma palavra a dizer; e ambos são mais apreciáveis acompanhados de cerveja.
O que Fernando Gomes conseguiu foi colocar os dois pontos de exclamação destes dois estimulantes oásis de forma equiparada. Provocou gargalhadas, alguns trejeitos de cepticismo e protestos de indignação. Eu consegui juntar estas três reacções: ri-me pelo carácter jocoso da frase; torci o nariz quando comecei a pensar sobre o assunto; protestei quando cheguei a uma conclusão palpável.
A conclusão é simples: tudo depende do golo e tudo depende o orgasmo. Na vida, de facto, tudo depende do que estamos a falar. Eu sou pão, pão, queijo, queijo, até porque não gosto de queijo e dessa forma posso comer só o pão. Mas a questão não é essa.
A questão é que um golo do meu Porto, marcado pelo Rodriguez, no último minuto de um jogo com o Benfica no Estádio da Luz, que decide o título, com o jogo empatado a zero, e na sequência de um contra-ataque rápido após penalty falhado pelo Reyes bate qualquer orgasmo que eu alguma vez possa ter na vida. Aliás, bate qualquer coisa que eu alguma vez possa ter na vida.
 A minha namorada irá ler isto e irá tentar, esforço ao qual não me vou opor, fazê-lo, mas provocar-me um orgasmo que me faça gritar mais que este hipotético golo vai ser missão impossível.


por diogohoffbauermdias às 23:38
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