Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Aviso

Blog temporariamente inactivo por motivos que me são alheios.

Voltaremos em breve.


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por diogohoffbauermdias às 22:07
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Segunda-feira, 8 de Junho de 2009
Partido, Largada, Fugida

A minha ausência nestes últimos dois dias não foi voluntária. Foi forçada. O problema deste meio de partilha que é o blog é que dependemos de uma coisinha chamada internet, da qual estive privado no passado fim-de-semana. E ainda estou. Por isso, é uma honra para mim partilhar que vos escrevo de um café a dois minutos de minha casa, a contar os minutos da bateria do meu portátil, e a bebericar um café intragável, porque a internet wireless é grátis, mas tem de se consumir algo e eu nunca pensei que pedisse café e me trouxessem a água da retrete. São azares que podem acontecer a qualquer um.

A minha ideia hoje era comentar a vitória do PSD nas eleições europeias. Mas perguntei-me "Ganharam o quê?" e desisti da ideia. Na verdade, estas eleições europeias mais não são que uma luta pela Pole Position, tal e qual o que sucede na Fórmula 1: há sempre um treino oficial para ver quem começa a grande corrida no primeiro lugar da grelha de partida. E, tal como na Fórmula 1, o significado palpável deste primeiro lugar pouco mais é que moral. É um incentivo, um turbo extra no momento da arrancada. Mas o Michael Schumacher nunca precisou do primeiro lugar da grelha. Eu não estou a dizer que o Sócrates é o Schumacher, até porque o Schumacher não veste Armani, nem usa o Magalhães. Mas a situação pode vir a ser semelhante.

De resto, as eleições para o Parlamento Europeu foram positivas. Vamos ter menos elementos do PSD no país; o Miguel Portas e a namorada vão viver, como deputados, para a romântica Bruxelas; e o POUS conseguiu ter mais do que seis votos.

Os únicos que podem não estar completamente satisfeitos com o resultado são os socialistas, mas esses já vieram dizer que ainda são eles que mandam. Só para não haver dúvidas. Ainda são eles que têm computadores do tamanho de um Nokia 6230 e com nome de navegador.

O Big Brother da rosa, que censura coisas como mulheres nuas num arbitrariamente escolhido computador no Carnaval de Torres Vedras - onde havia ainda os imponentes testículos de Cristiano Ronaldo que passaram impunes - ainda anda aí.


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por diogohoffbauermdias às 22:07
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
Apertado

Hoje, Bolonha não me deixa escrever.

Lamento.

Prometo que vos vou compensar. Para já, um vídeo de um concurso japonês em que os concorrentes tentam não rir. Adorava ver este adaptado à televisão portuguesa, mais até que o Tetris Humano, agora na decadente versão "Salve-se quem puder", onde a única coisa que se salva é a Diana Chaves, e é porque pode. Até o Marco Horácio, grande humorista, é desilusão. Não por culpa dele, mas deixou-se ir na onda.

Olha, afinal ainda escrevi um bocado. Bolonha não é assim tão mau quando compensada por concursos da terra do sol nascente: 



por diogohoffbauermdias às 21:10
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Reis da Selva

Uma das cem mil e quinhentas reportagens que eu já vi sobre a queda do avião no Oceânico Atlântico levou-me a outra dimensão. Não a uma dimensão já avançada como semelhante à do Lost, em que alguns dos tripulantes – o príncipe deve ter sido um deles, para os estereótipos de que se serve a série resultar – sobrevivem e caem numa ilha e lutam por sobreviver, contra adversidades desde monstros a estações experimentais. A dimensão para a qual esta reportagem me levou foi a uma dimensão real, em que vivemos, em que nos arrastamos, em que apodrecemos. É a dimensão onde os repórteres se alimentam, de uma forma perversamente voraz, do choque e do terror das pessoas.

Uma senhora estava completamente assombrada, submersa em si própria, no seu mundo, talvez noutra dimensão. Morrera-lhe um familiar, ela acabava de saber. Ainda não tinha engolido tudo, notava-se. A informação ainda se prendia na garganta; no máximo, tinha chegado ao esófago. E é neste estado de semi-paralisia da alma que a senhora se vê rodeada por uma vara de repórteres e fotógrafos e operadores de câmara. Atropelam-se, reina a lei do mais forte, quem superar os outros fica com a carne morta. São abutres com garra, lutam selvaticamente uns contra os outros em busca do melhor ângulo do semblante amargurado da vítima, do melhor brilho da lágrima, da melhor palavra angustiada que dê título, que provoque choque, apertos no estômago, comentários sussurrados.
Os abutres lutam, vale tudo excepto arrancar olhos, vêem-se sinais agressivos de todos os lados, cheira a sangue, junta-se a isto o sangue das vítimas do acidente do avião e temos um cocktail explosivo. Estendem-se microfones, gravadores; os operadores de câmara usam os seus bichos para rasgar caminho. Acumulam-se os animais, cada vez mais juntos, desordenados, a fazer lembrar uma recambolesca manada, e a assumir pervesas linhas próprias de orgia, pelo suor, pelo esforço, pelo êxtase, pelo bacanal.
A mulher, indiferente a tudo, indiferente ao mundo, passou por aquele tumulto sem tirar os olhos do nada. Quase se comerem vivos em vão, as hienas.
Tenho pena pela classe, ambicionando eu vir a pertencer-lhe. Bem, não àquela classe. No reino animal também se distinguem necrófagos e restante fauna.


por diogohoffbauermdias às 22:08
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Saltou-lhe a tampa

Hoje vi uma caneta sem tampa. O que não se encontrou foi a tampa sem caneta, pelo que a caneta, provavelmente, ainda se encontra sem tampa. E não se prevê que se voltem a encontrar tão cedo. Nasceram juntas, morrerão separadas, algo só ao nível das grandes novelas da TVI e de programas old school como o eterno Ponto de Encontro. A tampa e a caneta, a caneta e a tampa. A tampa sem poder tapar a caneta torna-se dispensável, inútil, passa a não ter qualquer sentido em existir. Em tempos, fora essencial para manter a caneta a funcionar, as palavras a fluir, uma conservadora de tinta, aplicada, eficaz na sua função. Agora, vale o mesmo que nada. Servirá talvez para um qualquer miúdo roer para se entreter nas aulas – miúdo ao qual me alio – mas não mais que isso.

A caneta, essa, tem uma sentença. Uma caneta sem tampa é como um ser com cancro terminal: está condenado a morrer em pouco tempo. Tal como os órgãos se vão fechando, o bico da caneta vai ficando cada vez mais seco; tal como a dificuldade em falar e se exprimir do ser humano, também as palavras começam a custar a sair do bico da caneta. A tinta não flui, as letras não se desenham, as ideias não se concretizam. Grande história que podia ter tido aquela caneta. Podia ter sido usada para assinar tratados de Paz no Médio Oriente; podia ter sido usada para assinar duvidosos documentos no BPN; podia ter sido usada para escrever fantásticas histórias de um mamute voador e das suas viagens; podia ter sido usada para censurar documentos, não é lápis, mas é azul; podia ter sido usada para preencher a papelada que se amontoa na secretária da D. Maria dos Serviços Sociais; podia ter sido usada para entreter as mãos de um qualquer comentador político incoerente na SIC Notícias.
Mas não foi. Sem tampa, nunca mais servirá para nada. Morrerão separados, por estarem separados. É triste depender assim de alguém. Deus não foi justo.

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por diogohoffbauermdias às 20:26
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