Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Como acabar uma relação em cento e quarenta caracteres

Inquestionavelmente, tem havido uma evolução tecnológica desde o tempo em que se caçavam mamutes com clavas toscas até agora, tempo da Bimbi e dos colchões ortopédicos. E eu, até ao aparecimento do Twitter, sempre pensei que esta fosse uma evolução positiva. Agora, com o Twitter, dou por mim a angustiar e a questionar-me porque não nasci há uns séculos atrás, para poder viver sem saber quais os meus amigos que estão, de momento, no quarto de banho.

Para quem não sabe o que é o Twitter, vou tentar explicar. Seja como for, isto não passa de uma explicação de um leigo nestas novas formas de «comunicação». E aviso desde já que, depois de lerem este esclarecimento, vão perceber ainda menos a função desta ferramenta. O Twitter é, basicamente, um site, onde as pessoas escrevem o que quiserem, desde que dentro do limite máximo de cento e quarenta caracteres. Uma mistura de blog com a composição nas provas de aferição do 6º ano, portanto. E este limite é uma autêntica prisão. Isto, sim, é censura. O logótipo do Twitter devia ser um lápis azul, e não um pássaro azul.

Eu mesmo, que sou uma pessoa que facilmente condensa os pensamentos em poucas palavras - provavelmente por não conhecer muitas, ou por os meus pensamentos não terem muito que se lhe diga - não consigo dizer seja o que for em cento e quarenta caracteres. Eu ia no metro, noutro dia, quando me ocorreu uma frase brilhante, e eu pensei: «É desta que eu uso o Twitter". Pareceu-me o meio ideal para divulgar uma frase soberba ao mundo que merece conhecê-la. Mas acontece que a frase «A prova de que o amor existe mesmo e é lindo é o facto de ser fantástico ver duas pessoas feias apaixonadas» tem mais do que cento e quarenta caracteres, e uma frase destas não merece serem-lhe cortadas palavras. Seria como mutilar as pernas do Usain Bolt.

A verdade é que esta loucura está a fazer um sucesso estrondoso, e sucedem-se as notícias de escandâlos e supostos crimes como "cyberbullying"e já há casos de divórcios registados cuja única razão apontada foi o vício desta ferramenta.

Ai, bom velhos tempos em que se caçavam mamutes com clavas toscas...



por diogohoffbauermdias às 21:20
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1 comentário:
De Paupau a 21 de Maio de 2009 às 17:16
Eu, ignorante me confesso no que diz respeito à Web 2.0.
Ou então alinho pelos fundadores da 1.0 que dizem que a 2.0 não existe, o que me fica melhor, acho eu.

Se a 2.0 vingar, paciência, fico do lado do 0.

Paupau


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